sábado, 14 de julho de 2012

De onde veio o Manekineko?

Quem nunca viu um Manekineko por aí - aquele gatinho de porcelana com uma das mãos levantadas exposto em lojas, estantes de casa, etc...?

Sim, ele é um dos talismãs mais populares no mundo todo, sendo sua imagem tão conhecida como a da própria Hello Kitty.
Esse curioso gatinho é de origem japonesa! Muitos mistérios cercam a origem da sua imagem, mas diversas lendas japonesas circulam pelo mundo conjecturando a gênese do Manekineko.

Bom, começando pelo nome, Manekineko significa, literalmente, "gato que acena", em japonês (招き猫).

Dentre várias histórias curiosas, 3 são as mais populares. Confira:

1) Lenda do templo Goutokuji:

     No início do período Edo (século XVII), havia um templo em Setagaya, Tokyo. O sacerdote do templo tinha um gato, chamado Tama.    
      A situação financeira do templo era bastante ruim, e os monges estavam passando fome. Mesmo assim, Tama sempre tinha o que comer, pois seu dono sempre tentava arranjar um meio de alimentar o gato.
     Um dia, Naotaka Ii, que era senhor do distrito de Hikone (próximo a Kyoto) estava caçando próximo ao templo quanto iniciou uma chuva forte. Para evitar a chuva, ele correu para debaixo de uma árvore que ficava na frente do templo. 
      Naquele momento, Naotaka viu um gato na entrada do velho templo, limpando o rosto e orelhas com a sua pata, fazendo um gesto como se lhe estendesse um convite, como se o estivesse chamando-o. Este gesto confundiu-o de tal maneira que ele teve de olhar mais de perto este gato, que parecia estar a chamá-lo. Ele ficou fascinado com a proeza daquele animal, e resolveu olhá-lo de perto. Assim que saiu debaixo da árvore, esta foi atingida por um raio. 
    Ao perceber que o gato tinha salvo sua vida, Naotaka resolveu entrar no templo para rezar. Ao ver a condição lamentável dos monges, o Samurai deu todo o dinheiro que ele carregava em sua bolsa para os monges (era por sinal uma soma considerável).

    Após esse episódio, Naotaka ficou amigo do monge daquele templo. Esse local tornou-se então o templo da família de Naotaka Ii e se tornou bastante próspero. Tudo isso graças ao gato. 
   O gato não só tinha salvado uma vida, mas também tinha aliviado o sacerdote da carga da sua pobreza. Quando ele morreu, o gato teve honras sendo enterrado num cemitério especial, e uma estátua foi feita na sua semelhança, refletindo o gesto do chamamento como sinal. Como a palavra dos ventos se estende, as pessoas começaram a colocar figuras de gatos com patas levantadas nas suas casas, nas lojas e nos templos, acreditando que trariam a mesma espécie de prosperidade nas suas próprias vidas, que Tama tinha trazido ao Sacerdote.

2) Lenda da Usugumo:

   Durante o período Edo existiam locais para os homens chamados Yuukaku que consistiam de várias casas de entreterimento tendo mulheres chamadas de Tayuu, que eram as anfitriãs principais de tais lugares. Uma das mais famosas casas de entreterimento era Yosiwara em Tóquio.

     Na metade do século XVIII, existiu uma Tayuu em Yosiwara cujo nome era Usugumo. Ela era conhecida por gostar de gatos de estimação, tanto que sempre mantinha seu gato ao seu lado todo o tempo. 
    Uma noite, quando ela queria ir ao banheiro, seu gato pulou em cima dela, agarrando suas vestes. Usugumo tentou tirar o gato, mas este não largava sua roupa. 
    Usugumo gritou por socorro, e o dono da casa correu para ajudá-la. (Parte trágica da história...) Ele acabou cortando a cabeça do gato como sua espada. Quando a cabeça do gato voou ao chão do banheiro, bateu e matou uma grande cobra que estava aguardando por Usugumo. O gato, na verdade, estava tentando asivá-la do perigo e acabou sacrificando sua vida para proteger sua dona.

   Usugumo sentiu-se culpada por ter levado seu gato à morte. 
  Para consolá-la, um de seus clientes a presenteou com uma imagem de um gato. Tal imagem teria originado o Manekineko.

3) Lenda mais popular: A velha mulher

      No final do período Edo (século XIX), existiu uma velha mulher que vivia em Imado, Tóquio. Ela tinha um gato de estimação que morava com ela. 

     Ela se encontrava em más condições financeiras e não conseguia achar um meio de ganhar dinheiro. Certa vez, sua situação se tornou tão crítica, que ela não mais podia criar e alimentar seu gato. Então ela disse ao gato: "Eu sinto muito, mas eu terei que abandoná-lo pois não tenho mais como criá-lo nesta situação de pobreza".
      Naquela noite, a mulher sonhou com o gato. No sonho ele falou: "Por favor, faça uma imagem minha em barro. Com certeza, isso trará boa sorte a você".


   No outro dia, a velhinha resolveu seguir o sonho e fazer uma estatueta do seu gatinho.          Enquanto ela moldava o barro, o gato estava “lavando a cara” com gestos exagerados e, achando engraçado, a velhinha resolveu moldar o bichinho com a pata levantada. Nisso, passou uma pessoa em frente de sua casa e, achando interessante, quis comprar a estatueta. Como estava dias sem comer, a velhinha vendeu a estatueta e comprou comida para ela e o gato. Assim, de barriga cheia, resolveu fazer outra estatueta para deixar como talismã da sorte. Porém, apareceu outra pessoa e comprou a segunda estatueta.
   Quanto mais a velhinha fazia estatuetas, mais aparecia gente para comprá-las. Com isso, ela mudou de vida e nunca mais passou necessidades.



Dentre tantas lendas e incríveis histórias, o fato é que o famoso gatinho acabou sendo homenageado com um templo chamado Gôtoku, em Tóquio.  O local é cercado por jardins bem cuidados e há um oratório informal, com estátuas de Manekineko e, claro, repleto de felinos explorando o local encantador. (Fotos em seguida)





A famosa figura do Manekineko traz ainda mais curiosidades:
- a fitinha vermelha com o sino em volta de seu pescoço é uma lembrança dos costumes do período Edo (1603 - 1867), quando o gato era um animal de estimação caro. As damas da corte agradavam seus gatos, colocando-lhes coleiras vermelhas, feitas de hi-chiri-men (tipo de tecido de luxo da época) e pequenos sinos para vigiá-los.

- nas patas, ele carrega um Koban no valor de dez mil Ryô, antiga moeda japonesa, que na verdade tinha o valor de um Ryô, e não dez mil. Esse atributo não é visto nos Manekineko mais antigos, pois é uma característica mais moderna e comercial.

Diversas cores com seus significados, por exemplo: branco (pureza), preto (saúde e espantar maus espíritos), dourado (riqueza), rosa (amor), roxo (força artística) e verde (força nos estudos).

- Patas: se a direita está levantada, simboliza o desejo por felicidade, visitas e/ou um grande amor/pessoas amadas; se a mãozinha esquerda está acenando, significa o anseio por felicidade, riqueza e bens materiais.

Resumindo, podemos associar estas lendas com um simples comportamento natural felino: o grooming, ou ato de se lamber, de se limpar.

O gesto do Manekineko que parece ser um convite ou um aceno, na verdade é o gesto de um gato limpando seu rosto. O gato é um animal tão sensitivo, que pressente a chegada de uma pessoa ou a aproximação de chuva. Essas mudanças em sua rotina, o deixam inquieto. Então, ele começa a dar voltas ou esfregar seu rosto, pois esse tipo de comportamento tranqüiliza-o. Porém, para um ser humano isso pode ser interpretado como “se o gato esfrega seu rosto, é sinal de chuva ou de visita”.  

Abaixo, você pode assistir a um vídeo de um programa do "Animal Planet", mostrando a popularidade do Manekineko em sua terra natal, Tóquio. =)



Para finalizar o post, deixo aqui imagens de gatinhos japoneses aproveitando as cerejeiras de Tóquio:







Fontes:

Rachel Autran
Cat Sitter - DF

2 comentários:

  1. Olá Rachel! Muito interessante seu post! Adorei conhecer a origem do Manekineko, tão popular! Esta é minha primeira visita em seu blog. Muito bom!
    Aproveito para te convidar a conhecer o meu também: www.gatariscada.blogspot.com.br. Apareça lá!
    Abraços

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  2. Oi, linda. Você cuida de gatinhos ainda?
    Se você ver esse comentário a tempo, será que poderíamos fazer um orçamento?


    Att,
    Luanne.

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